Fotografia: Geo

By playing records in the right way the average DJ has a tremendous power to affect people’s states of mind. A truly great DJ, just for a moment, can make a whole room fall in love. […] DJing is not just about choosing a few tunes. It is about generating shared moods; it’s about understanding the feelings of a group of people and directing them to a better place. In the hands of a master, records become the tools for rituals of spiritual communion that for many people are the most powerful events in their lives. The idea of communion is what drives the best musical happenings.[1]

Há pouco tempo, uma amiga estranhava o facto de eu dizer que era DJ. As palavras “disc jockey” soaram-lhe mal, eram-lhe desconfortáveis. Pelo tom de voz, supus que a profissão, para ela, seria desprestigiante.

Ainda não há muitos anos, o DJing exercia um grande fascínio nos adolescentes, a ponto de haver mais aprendizes do que DJs. Outrora olhado com desconfiança, o DJ adquiriu estatuto de artista, construiu uma indústria em seu redor e celebrizou-se. A ascensão do DJ a estrela pop transformou a profissão numa atividade respeitada e cobiçada.

Hoje, o paradigma parece estar a mudar. O fenómeno da multiplicação de DJs acabou por desembocar na inevitável banalização da profissão. A manifesta facilidade com que alguém entra numa cabina e põe umas músicas desvaloriza a atividade e, a prazo, fará com que o DJ seja menosprezado.

Dantes, os custos proibitivos da matéria-prima – os discos de vinil e os CDs – selecionavam naturalmente quem entrava para este ofício. Hoje, com o fenómeno dos downloads, o DJing democratizou-se, e qualquer pessoa se sente habilitada a pôr música e a autointitular-se disc jockey.

Sendo o DJ o maior ativo de uma discoteca, banalizá-lo significará, a prazo, desvalorizar o próprio conceito de discoteca ou subverter o modelo de negócio que lhe está associado. Há uma questão de interdependência: as discotecas dependem dos DJs, da mesma maneira que os DJs dependem das discotecas. Sempre foi assim e sempre será. Não é por acaso que não existem discotecas com jukeboxes.

Para a grande maioria dos frequentadores, a discoteca é o local privilegiado de comunhão e celebração da sua juventude, energia e sexualidade; é o lugar onde se comemora a vida através da música e da dança, e onde o DJ desempenha o papel central.

Mas um DJ não é apenas alguém que escolhe umas músicas para tocar. Nas suas mãos, a música serve de ferramenta para criar rituais de comunhão e celebração da vida. É essa capacidade de criar atmosferas e de apaixonar uma audiência que define a qualidade de um DJ. É uma competência que pode ser inata, mas na maioria das vezes é adquirida com trabalho e experiência.

Permitir que qualquer pessoa entre numa cabina e troque umas músicas é contribuir para a crescente banalização e descrédito da profissão. Ao descredibilizá-la, as discotecas retiram valor ao seu principal ativo e desvalorizam-se a si mesmas. Não tenhamos ilusões: o eventual declínio do DJ significará o fim das discotecas como hoje as conhecemos.

[1] Brewster & Broughton, Last Night a DJ Saved my Life: The History of the Disc Jockey, p. 11.
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