Editei o meu primeiro disco em 1994. Nessa altura, aprender o ofício da produção era especialmente difícil, sobretudo para alguém que, como eu, vivia longe de Lisboa. Não havendo ainda Internet ou cursos de produção em Portugal, o acesso à informação era, em geral, muito limitado.

Depois, havia apenas dois ou três produtores de música de dança eletrónica, um estilo que vivia a sua fase embrionária no país. A partilha de conhecimento era, por isso, escassa. Essa foi a maior dificuldade que enfrentei nos primeiros anos de autodidatismo enquanto aspirante a produtor: a carência de informação que tornava penosamente lenta a curva de aprendizagem.

Foi nesse ano que descobri a revista que iria revolucionar a minha vida. Em casa de um casal amigo, quando estava à procura de alguma coisa para ler, deparei-me com uma revista inglesa, esquecida numa estante, chamada Future Music. Inicialmente, pensei tratar-se de uma vulgar publicação de música, género Blitz ou Rolling Stone. Mas, depois de folhear meia dúzia de páginas, percebi que se tratava de uma revista técnica, especialmente concebida para aprendizes de produção de música eletrónica como eu. Até então, nunca tinha pensado que pudesse existir uma revista daquele tipo; depois desse dia, nunca mais imaginei o meu mundo sem ela.

Poucos anos mais tarde, foi através da Future Music que conheci um livro a que ainda hoje recorro: Modern Recording Techniques, de David Huber e Robert Runstein. Apesar de já ter vários anos, continua a ser um livro de referência para estudantes de som. A informação não é muito pormenorizada, mas é um bom livro de ‘clínica geral’ para produtores. ‘Som e audição’, ‘estúdio e acústica’, ‘microfones’, ‘gravadores de fita analógica’, ‘tecnologia digital’, ‘MIDI’ ou ‘processadores de sinal’ são alguns dos temas tratados no livro, tornando-o num bom ponto de partida para qualquer aspirante a produtor, técnico ou engenheiro de som.

Estas duas publicações foram decisivas no meu processo de aprendizagem enquanto produtor autodidata, numa altura em que não havia Internet ou escolas, e em que a música só conhecia um tempo verbal: o futuro.

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