Fotografia: Lifehack Quotes

Sempre me intrigou porque é que a Apple criou um iPad incompatível com o Flash. Numa época em que uma grande parte dos sites dependia desse programa, lançar no mercado um aparelho portátil que não conseguia fazer uma navegação web em pleno parecia-me uma jogada, no mínimo, arriscada. Afinal, foi uma vingança de Steve Jobs.

Tudo aconteceu quando Steve Jobs regressou à Apple, nos finais dos anos 90, e se preparava para lançar o iMac. Jobs tinha a visão de que o computador pessoal se tornaria uma plataforma digital integrada, tirando partido da rapidez que a tecnologia FireWire proporcionava. Mas, para isso, precisava de fabricantes de software.

Steve Jobs foi ter com os seus velhos amigos da Adobe – a empresa de gráficos digitais que ele tinha ajudado a lançar – e pediu-lhes que desenvolvessem para o iMac uma nova versão de Adobe Premiere, que era muito popular nos computadores que usavam Windows. A recusa frontal dos executivos da Adobe chocou Jobs. Argumentavam eles que o Macintosh não tinha um número de utilizadores que o justificasse. Jobs ficou furioso e sentiu-se traído. “Coloquei a Adobe no mapa, e eles lixaram-me”, queixar-se-ia mais tarde. A Adobe ainda piorou as coisas ao recusar-se a desenvolver outros programas populares, como o Photoshop, para o Mac OS X, apesar da popularidade do Macintosh entre os designers e outros criativos que usavam essas aplicações.

Steve Jobs nunca perdoou à Adobe, e uma década depois entrou numa guerra pública com a empresa ao não permitir que o Flash da Adobe fosse utilizado no iPad.[1]

A incompatibilidade do iPad com o Flash não foi mais do que uma vingança de Steve Jobs, servida fria quase 10 anos depois. A partir da recusa da Adobe, Jobs reforçou a sua célebre obsessão pelo controlo de todas as partes do sistema. “A minha primeira ideia quando a Adobe nos traiu em 1999 foi a de que não deveríamos entrar em nenhum negócio no qual não pudéssemos controlar tanto o hardware como o software. De outra forma, estávamos arrumados”[1], afirmou ele.

[1] Walter Isaacson, Steve Jobs, pp. 474-475.
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