Fotografia: Rui Filipe

Ao longo dos últimos anos, tem sido habitual ouvir-se falar no aumento exponencial das vendas de vinil. A recuperação das vendas de vinil é muitas vezes entendida como a luz ao fundo do túnel dos artistas e da indústria discográfica. A comunicação social tem contribuído bastante para esta perceção generalizada, ao recorrer a títulos espetaculares como este: “Venda de discos de vinil cresce 54 mil por cento”.

Não há dúvida de que a venda de vinil tem crescido. E compreendo que, especialmente numa indústria discográfica moribunda, qualquer aumento da venda de música seja celebrado. Mas é preciso contextualizá-lo.

Gráfico: venda de vinil nos EUA entre 1973 e 2014

Nos EUA, este “espetacular aumento” significa que as vendas de hoje estão ao nível da década de 90 do século XX, altura em que o vinil já estava em agonia. Hoje, apesar de o CD estar a morrer, o mercado do CD é ainda 15 vezes maior do que o do vinil. Apesar do crescimento dos últimos anos, as vendas de vinil continuam a ser residuais e pouco expressivas.

Como resultado desta nova configuração do mercado discográfico, um por cento dos artistas mainstream que mais vendem ganha agora cerca de oitenta por cento do total das receitas provenientes da venda de música. Não só hoje a concentração da riqueza é maior, como é cada vez mais evidente que esta configuração da indústria discográfica tem prejudicado sobretudo os artistas independentes.

Haverá mesmo razões para celebrar?

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