Estava a ver o Portugal-Sérvia. A Sérvia empata com um golo de Matic. Um grande golo. Daqueles que eu aplaudiria, fosse qual fosse a equipa adversária. Lembro-me do meu Pai e da primeira vez que fui a um estádio de futebol ver um jogo das competições europeias: um Braga-Tottenham, no antigo Estádio 1º de Maio, em meados dos anos 80. Eu teria uns 9/10 anos. O Braga, claro, foi cilindrado: perdeu, salvo erro, por 3-0. Num dos golos, o meu Pai aplaude. É a única pessoa que a minha vista alcança a bater palmas à equipa adversária. Toda a gente em nosso redor olha para ele como se estivesse a olhar para o inimigo. Ouve-se um insulto vindo de trás. Ao ver o meu ar assustado, sussurra-me: “este, sim, foi um grande golo”. Foi assim que eu descobri o que era o fair play, muito antes de saber o significado destas duas palavras inglesas. “O Pai era diferente”, disse-me o meu irmão Francisco um dia depois do nosso Pai morrer. É mesmo verdade. Para o bem e para o mal, o nosso Pai era diferente, e eu tenho saudades de testemunhar essa diferença sempre que falava com ele. Que golaço, Matic. O nosso Pai, hoje, aplaudir-te-ia.

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