Fotografia: Wordpress.com

O WordPress é um sistema de gestão de conteúdo Web de código aberto, escrito em linguagem PHP e assente numa base de dados MySQL. Lançado oficialmente a 27 de maio de 2003, por Matt Mullenweg e Mike Little, o WordPress começou por ser mais um sistema de blogging do que um verdadeiro CMS (Content Management System). Algumas características que o tornaram popular continuam a aplicar-se nos dias de hoje: URLs “amigos” dos motores de busca, possibilidade de criação de múltiplas taxonomias, instalação simples, capacidade de upgrade, moderação de comentários e utilização e modificação completamente gratuitas, ao abrigo de uma licença GPLv2. Rapidamente, o WordPress tornou-se uma das plataformas mais requisitadas no mercado dos blogues, beneficiando da política de inflação de preços praticada pelo seu principal concorrente, Movable Type.

Porém, sobretudo a partir de 2010, com a introdução dos custom post types na versão 3, aquilo que começou por ser uma simples plataforma de administração de blogues evoluiu para um robusto sistema de gestão de conteúdos Web. Com um painel de administração intuitivo mas poderoso, a plataforma permite aquilo que qualquer CMS se propõe fazer: tornar mais fácil o controlo do conteúdo, ou seja, permitir que qualquer pessoa possa escrever, editar e publicar o seu trabalho, através de diversas ferramentas de fácil manuseamento – como, por exemplo, um editor de texto WYSIWYG (What You See Is What You Get) –, sem necessitar de ter um conhecimento aprofundado das linguagens Web.

Hoje, o mercado dos CMSs é enorme e a grande dificuldade é escolher. Não é possível dizer perentoriamente que há um melhor do que outros. E há soluções gratuitas e pagas, ambas com prós e contras. A opção por uma delas depende dos objetivos do projeto, do orçamento disponível, da preferência pessoal do(s) Web developer(s) e do grau de personalização e de extensibilidade pretendidos.

Mas porventura aquilo que mais destaca o WordPress da concorrência paga é o facto de ser completamente gratuito. Thord Hedengren[1], um experiente Web designer e developer especialista em WordPress, gosta de dizer que todos os jornais e revistas online que conhece, e que estão assentes em sistemas com licenças de utilização caríssimas, poderiam facilmente ser reconstruídos em WordPress, mantendo o mesmo desempenho. Sistemas como o WordPress, o Joomla ou o Drupal – os três CMSs com maior penetração no mercado – têm não só a vantagem de ser gratuitos, como garantem uma expansibilidade maior e mais barata, ao permitirem a criação e o desenvolvimento de plugins, módulos e extensões por terceiros.

O facto de o WordPress ter começado por ser uma plataforma de blogging explica, em grande medida, o sucesso que tem hoje enquanto CMS: muitos bloggers já familiarizados com o back-end do sistema puderam passar a gerir um completo e poderoso gestor de conteúdos sem terem de aprender tudo de novo. Para estes utilizadores, o WordPress proporcionava uma curva de aprendizagem muito mais rápida. Não é por acaso que o WordPress é hoje, por uma esmagadora margem, o CMS mais popular, com cerca de 60 por cento de penetração no mercado; e 22 por cento dos sites em toda a Web já correm nesta plataforma. Entre os mais populares, encontram-se os sites The New Yorker, TimeTechCrunch, BBC America, Sony Music, Variety, MTV News, Lumia Conversations, Fortune, CNN Political Ticker, Reuters Blog, Wired ou o português Observador, para citar apenas alguns.

Estes dados não são despiciendos: a popularidade do WordPress é a sua grande vantagem e, ao mesmo tempo, a sua maior fragilidade. Por um lado, a maior comunidade online de developers e entusiastas no mercado dos CMSs garante uma extensibilidade superior à da concorrência: milhares de plugins, scripts e snippets, abrangendo uma multiplicidade de funções, estão disponíveis online para download imediato e gratuito. Por outro, com o código à vista de todos, com tantos utilizadores e sites assentes na plataforma, o WordPress é naturalmente um dos alvos preferenciais dos hackers. Não é que o sistema seja intrinsecamente mais vulnerável do que outros; é apenas mais apetecível por ser utilizado por mais pessoas. Esta característica tem um aspeto positivo: força os Web developers a configurar convenientemente a segurança da plataforma, porque não é possível adotar apenas métodos de segurança através da obscuridade – baseados na falsa suposição de que ninguém poderá descobrir e enganar o sistema.

Por fim, uma nota marginal: tenho de confessar que uma das razões que me levaram a simpatizar imediatamente com o WordPress foi o facto de todas as versões terem nomes de músicos de jazz. Para um melómano como eu, seria difícil ser insensível a uma particularidade tão original.

[1] Hedengren, Smashing Wordpress - Beyond the Blog, p. 174.
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