Fotografia: Polly Beans

Enquanto nos EUA e em Inglaterra as vendas de vinil recuperam acentuadamente, prevendo-se que em 2013 atinjam os mesmos números de 1997, no caso norte-americano, e de 2001, no caso inglês, os gráficos das vendas de música em Portugal são impiedosos.

Em relação ao vinil, depois de uma subida durante três anos consecutivos entre 2007 e 2010, as vendas caíram abruptamente a partir de 2010. Apesar desta descida ir ao encontro da tendência de queda livre do mercado discográfico português, é possível que ela esteja também relacionada com a crise económica que entretanto atingiu o país. Os discos de vinil, como sabemos, são especialmente caros.

Evolução das vendas de vinil em Portugal

Quanto à faturação e à evolução das vendas do conjunto de todos os suportes áudio, o cenário não podia ser mais catastrófico, com descidas acentuadas e praticamente consecutivas desde o ano 2000. Nem a ligeira subida das vendas de vinil entre 2007 e 2010 alterou este padrão. Estou curioso para ver se os números referentes a 2012 e 2013 confirmam, ou não, esta tendência. Infelizmente, ainda não os consegui encontrar.

Evolução da faturação no mercado do áudio em Portugal

O único aspeto positivo é o facto de a quota do mercado digital continuar a subir, embora os números em Portugal sejam ainda muito pouco animadores. Em 2011, representava apenas 17 por cento de um mercado de áudio cada vez mais magro.

Áudio físico Vs. Áudio digital

Numa indústria discográfica moribunda, as vendas de vinil nos EUA e no Reino Unido parecem acender uma luz ao fundo do túnel. Mas é preciso olhar para estes números com cautela: o mercado do vinil continua a ser pouco expressivo e pode ser o resultado de um movimento passageiro.

O fenómeno da recuperação do vinil parece relacionar-se com a tendência da cultura pop para uma certa idolatria do passado, sobre a qual Simon Reynolds dissecou em Retromania: Pop Culture’s Addiction to its Own Past. De repente, “a cultura popular passou a estar obcecada com o passado – a reciclá-lo, a refazê-lo, a retocá-lo”. São as festas dos anos 80 e 90, as reedições de clássicos, os mash-ups, as remisturas, as versões, os re-edits, os álbuns tributo, o regresso de bandas praticamente esquecidas. Não deixa de ser irónico: “embora vivamos numa era de avanço rápido, não conseguimos tirar o dedo do botão retroceder”.

Haverá suporte mais glamoroso do que o vinil para funcionar como emblema de uma cultura pop centrada e viciada no seu passado recente?

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