Fotografia: Adobe

O conceito de acessibilidade Web está relacionado com a capacidade de navegar na Internet e de aceder à informação independentemente das limitações físicas dos utilizadores. Garantir a acessibilidade significa que as pessoas com necessidades especiais podem fazer um uso pleno da Internet, ou seja, “conseguem percecionar, entender, navegar e interagir com a Web”.

A Internet, como nenhum outro meio de comunicação, trouxe oportunidades extraordinárias para pessoas com necessidades especiais, sobretudo no que diz respeito à interação com os outros e ao acesso à informação. Nunca como hoje foi tão fácil e barato garantir a participação e a integração destas pessoas nas dinâmicas sociais, permitindo ao mesmo tempo que elas possam gerir com maior autonomia o rumo da própria vida.

Apesar das suas enormes potencialidades, a Internet apresenta ainda uma série de barreiras[1] que impedem uma navegação plenamente acessível, sobretudo porque os Web designers/developers e criadores de conteúdos Web não estão suficientemente sensibilizados para as questões da acessibilidade. Basta colocarmos os URLs dos nossos sites favoritos num validador automático para percebermos isso.

Mas por que razão nos devemos preocupar com a acessibilidade?

Em primeiro lugar, por uma questão ética: porque discriminar é eticamente errado, ou, como disse a diretora da WebAIM, Cyndi Rowland, porque preocuparmo-nos com a acessibilidade é fazermos o que é correto. “Na nossa sociedade, queremos que todas as pessoas possam participar e não queremos tratar os outros de modo desigual”.

Em segundo lugar, por uma questão económica: se podemos comunicar com mais pessoas, por que razão havemos de comunicar com menos? Só em Portugal, segundo os Censos de 2011, há mais de um milhão de pessoas com dificuldades visuais e auditivas. Não haverá aqui uma oportunidade de negócio que podemos estar a negligenciar?

Por fim, por uma questão legal: sendo o acesso à informação uma questão tão central nas sociedades democráticas, também reconhecido pela Constituição Portuguesa como um direito fundamental, no seu artigo 37º, relativo à liberdade de expressão e de informação, os sites com conteúdos informativos deviam garantir que todas as pessoas pudessem exercer o direito fundamental de ser informadas sem discriminações.

Nunca como hoje foi tão fácil e barato comunicar de forma acessível através da Internet, cuja capacidade para facultar informação a pessoas com necessidades especiais, tanto em quantidade como em rapidez, é espantosa e inigualável. Mas para que essa realidade não seja apenas uma abstração, talvez seja hora de reconhecermos a acessibilidade como “uma condição essencial para o pleno exercício de direitos de cidadania consagrados na Constituição Portuguesa” (Teles, 2007: 5).

Depois disso, talvez possamos falar na verdadeira emancipação digital prognosticada por Schmidt e Cohen (2013: 17): a primeira grande experiência de emancipação da vida de muitas pessoas, que passam a ser ouvidas e consideradas.

[1] Giorgio Brajnik, um professor italiano especialista em acessibilidade Web, define barreira como “qualquer condição que atrapalha ou impede o progresso do utilizador na persecução de um objetivo, quando esse utilizador é portador de deficiências ou incapacidades”. Um exemplo prático de uma barreira é a não utilização de texto alternativo em imagens. Se o atributo "alt" não existir, as tecnologias de apoio são incapazes de identificar a imagem e de transmitir o seu significado a um utilizador invisual.

Referências

Teles, P. (coor.) (2007). Acessibilidade e Mobilidade para Todos - Apontamentos para uma melhor interpretação do DL 163/2006 de 8 de Agosto. Porto: Secretariado Nacional de Reabilitação e Integração das Pessoas com Deficiência.

Schmidt, E.; Cohen, J. (2013). A Nova Era Digital. Alfragide: Dom Quixote.
comments powered by Disqus
Navegação completa
A carregar...